Nossa TI e suas controvérsias

15/06/2016

Nossa TI e suas controvérsias

De um lado, empregadores propagam a falta de profissionais capacitados e o velho clichê "sobram vagas"; de outro, uma mão de obra ávida por melhores remunerações, estabilidade e ascensão. 

Bem-vindo ao polo de tecnologia pernambucano.

Por Dulce Reis

DO DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR 

A falta de profissionais qualificados no setor de tecnologia da informação no estado é um assunto recorrente. Por conta do crescimento econômico nos últimos anos, o tema vem sendo debatido amplamente. Para suprir esta necessidade, grandes instituições têm apostado em projetos que valorizam a capacitação. É o caso, por exemplo, do Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar), que está investindo no Cesar Edu, unidade responsável pela promoção de cursos para a área. Já o Porto Digital desenvolve desde 2011 um programa de certificação. No entanto, segundo estudo divulgado em 2011 pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), entre os oito estados pesquisados, Pernambuco está entre os três que terão profissionais disponíveis em quantidade adequada em 2014. Mas pouco se sabe como é a situação de quem já entrou no mercado.

Para conhecer melhor o trabalho do profissional de TI no estado, o Canal Tecnologia conversou com 12 profissionais. São pessoas que estão ou já passaram por várias empresas na área. Eles já trabalharam para empresas embarcadas no Porto Digital ou no Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) e até mesmo em projetos para multinacionais desenvolvidos pelo Cesar. Alguns ainda estão no Recife, para ficar mais perto da família. Outros preferiram deixar o estado ou o país em busca de melhores condições ou maiores salários.

Apesar desta busca por profissionais, trabalhadores do setor relataram seus descontentamentos. Claro que existem pessoas satisfeitas, mas outras nem tanto. A maioria dos relatos é sobre a falta de valorização dos profissionais, que vai desde salários defasados, não pagamento de horas extras e a desconsideração pela vida acadêmica do contratado.

Um dos profissionais entrevistados, que prefere não ser identificado, até concorda com a falta de qualificação. Para isso, ele tem uma justificativa: "O motivo é simples. Os melhores profissionais são fisgados por empresas de fora do estado e qualquer lugar no Brasil é melhor que o Recife atualmente", conta o designer.

No entanto, um outro profissional é enfático: "Não faltam funcionários capacitados", diz um cientista da computação que também prefere não ser identificado. "O que falta é funcionário qualificado que queira receber o salário proposto. Você não consegue melhores salários porque existe uma tabela informal. Muitos seguem o padrão da bolsa Softex/Cesar. Algo que gira, para um desenvolvedor junior, entre R$ 1,8 mil e R$ 2,2 mil", desabafa. Isto quando a média mensal dos salários de TI no Brasil é de R$ 2.950, de acordo com o estudo da Brasscom.

 O cientista da computação ainda reforça a sua convicção. "A conversa de que faltam profissionais é facilmente detonada se você levantar o quanto se recebe. Se faltassem trabalhadores, se pagaria aqui o salário pago em São Paulo. Lei básica da oferta e procura", explica. Para se ter uma ideia, de acordo com o estudo da Brasscom, o salário inicial de um analista de desenvolvimento de sistemas, por exemplo, é de R$ 3.980 no Distrito Federal, R$ 3.415 no Rio de Janeiro e R$ 2.950 em São Paulo. Segundo pesquisa divulgada pelo Porto Digital em 2010, o salário médio dos profissionais contratados pelas embarcadas é de R$ 2.606,22.

 Este mesmo cientista da computação também relata problemas como excesso de carga horária. "Horas extras não são pagas e ainda há intromissão no curso acadêmico. Perdi varias cadeiras por trabalhar além da carga horária, inclusive quando era estagiário. Hoje, no Recife, empresas falam: se precisa fazer hora extra, a gente paga. E tem pizza", relata.

Origem: http://hotsites.diariodepernambuco.com.br/2012/nossa_ti/


Comentário:

Apesar de o artigo não estar relacionado ao meu estado, Espírito Santo, é totalmente aplicável aqui também.